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Natação, canoagem e corrida adaptadas são as modalidades mais praticadas pelos para-atletas que frequentam a Cidade Universitária. Eles chamam uns aos outros pela lesão que sofreram; em vez de deficientes físicos, são cadeirantes e amputados. Muitos deles, a fim de superar as dificuldades e limitações de suas condições físicas, encontraram no esporte o aliado de que precisavam e na Cidade Universitária, espaço para desafiar a si mesmos. É o caso do aluno de Engenharia Elétrica André Ferreira. Cadeirante desde 2002, André já estava na USP quando sofreu um acidente de moto. Junto com a lesão, veio uma nova atitude: “Depois da lesão, comecei a praticar mais esportes e a ter uma vida menos sedentária.”

Além de praticar natação na EEFE duas vezes por semana, pelo programa “Natação Inclusiva”, André pratica corrida em cadeira. Com um pequeno detalhe: prefere treinar à noite, quando o fluxo de veículos é menos intenso e dá pra correr nas ruas. “Não dá pra correr nas calçadas da USP”, finaliza o atleta.

Paracanoagem

Treinado pelo técnico Paulo Barbosa, o amputado bilateral (duas pernas) Cleuton Nunes já treinou paracanoagem na USP por três meses, mas hoje pratica o esporte em São Bernardo, onde tem apoio de uma academia.

A mesma situação ocorre com o ex-BBB (2ª edição) Fernando Fernandes. Já tendo treinado paracanoagem na raia olímpica durante nove meses, Fernando hoje combina treinos diários em São Bernardo com musculação.

Cadeirante desde julho de 2009, o modelo Fernando descobriu a canoagem durante seu processo de reabilitação. Campeão mundial de canoagem pela categoria A (de “arms”, em inglês) em Poznan, na Polônia, em 2010, Fernando acumula títulos nacionais e sulamericanos. Para ele, a importância desses títulos é bem maior do que pessoal: “Busco levar o nome do meu país para o mundo e representar as pessoas que passaram pelas dificuldades que eu passei. Isso, através da minha bandeira: o esporte.”

Também praticante de MotoCross, Fernando acredita que a canoagem envolve uma prática muito maior de equilíbrio: “Tenho que me equilibrar remada por remada.” Elogiando as condições e o incentivo que recebeu pela USP, Fernando também vê problemas: “Aquele píer tem que ser refeito. Tem muita madeira quebrada”.

Natação Inclusiva

Nascido como projeto em 1995, o Natação Inclusiva tornou-se programa, mas ainda não tinha esse nome. A professora doutora Elisabeth Mattos, responsável por coordenar o programa, tem desenvolvido suas pesquisas para o treinamento de pessoas com deficiências, sejam elas motores, visuais ou mentais. Graduada em Terapia Ocupacional e Educação Física pela EEFE, Elisabeth defendeu seu doutorado pela Escola Paulista de Medicina e Neurociências.

O programa consiste em aulas de natação em piscina da EEFE para pessoas da comunidade em torno da universidade. O processo seletivo ocorre semestralmente e depende de laudos médicos para comprovação de algum tipo de deficiência. Apesar de o vestiário da piscina ser adaptado e, segundo Elisabeth, a Coordenadoria do Campus atender às suas necessidades, ainda persistem problemas em relação ao acesso à EEFE e aos estacionamentos reservados aos deficientes.

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